
Gado. Essa foi a sensação que tive
ao precisar utilizar o Hospital Geral Jesus Teixeira da Costa em Guaianases.
Fui acompanhar meu irmão que precisava passar em um Clínico Geral e recebi a
notícia criminosa de que não havia médico de plantão. Com muito custo,
conversei com o médico responsável e soube que há anos o hospital não dispõe de
um quadro suficiente de médicos plantonistas para atender a população do bairro
e da redondeza. Não apenas isso, também soube que o Hospital Público de
Tiradentes não conta com o serviço de plantonistas. Os pacientes saem de lá e
vem para o Geral e recebem porta na cara.
De um quadro mínimo de 15 médicos plantonistas necessário para fazer o serviço funcionar, há apenas quatro médicos. Enquanto conversava com o atendente, pessoas chegavam com crianças machucadas, fraturadas, pessoas idosas e tinham de se deslocar para outros hospitais por falta de médico. A função dos funcionários do atendimento era apenas duas: informar a falta de médico e rezar para que não fossem agredidos pela família dos pacientes que lá chegavam. Conforme o médico informou, um rapaz baleado morreu no hospital por falta de médico e por pouco um funcionário não morria também, pois o irmão da vítima estava armado.
Essa é a vergonhosa política
pública de saúde que Geraldo Alckmin oferece para a população paulista. Um dos
Estados mais ricos do Brasil e não consegue oferecer serviço mínimo de saúde à
população. A sensação de impotência tem sido quase sempre o único recurso que
temos diante deste partido especialista na violação dos Direitos Humanos. A
Saúde é direito fundamental e assim como a Educação, Moradia e outras áreas, ela
tem sido sucateada vergonhosamente pelo PSDB a favor das empresas privadas que,
ou parasitam hospitais públicos com seus inúmeros convênios, ou montam seus
hospitais arrojados com as portas arreganhadas, aguardando a população descrente
no serviço público. Definitivamente, o PSDB faz mal à saúde.
O que vi hoje foi o funcionamento
perverso dos mecanismos de imposição da busca de um convênio médico. A
população da periferia iludida com a suposta ascensão econômica tem feito obedientemente
esse movimento como gados. Acreditando que o serviço particular lhes garantirá
uma real qualidade de atendimento, não veem que são tratados como gados forçados
a aderirem o convênio médico. E pior, vão encontrar o convênio com a mesma qualidade
de atendimento que dispõe no serviço público, só que agora pagando.
Essa é a política neoliberalista
do PSDB que, presente há mais de 16 anos no Governo de São Paulo, e contando
com uma maioria na ALESP para aprovar seus projetos, tem implementado a
destruição do serviço público com dinheiro público. Quer fazer política de
fato, meu bem? Comece a buscar atendimento em Hospitais Públicos nas periferias
de São Paulo para saber o que é ter como Governador o Sr. Médico Geraldo
Alckmin e a sua trupe do PSDB.
A população precisa entender que
serviço público não é benefício, mas direito da população e obrigação do Estado.
Chegar à porta do Hospital, receber um não e sair conformado, naturalizando
essa relação, só contribui para a continuidade do sucateamento do serviço
público feito pelo PSDB em São Paulo. Não, não é resposta para quem já paga
pelo serviço de saúde – sim, pagamos com nossos impostos – também não é solução
bater boca, ameaçar ou insultar funcionários mandados a nos dizer não. Só a
mobilização é a resposta necessária para a garantia de uma saúde de qualidade.
P. S.: Se possível, divulguem ao máximo de pessoas,
que, como eu, têm experimentado essa realidade quando precisa de um atendimento
hospitalar.
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